sábado, 16 de abril de 2011

Seminário lembra 15 anos do massacre


Para dirigente do MST, "reconhecer as mortes desses companheiros é fazer reforma agrária"

Por >>>Vinicius Mansur

Militantes e apoiadores dos movimentos sociais e autoridades de Estado lotaram o auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, para o seminário que lembrou os 15 anos de impunidade do massacre de Eldorado dos Carajás, na manhã desta quinta (14).

Uma mística feita pelo grupo de teatro do MST, Semeadores, e o vídeo “Eldorado dos Carajás 10 anos” abriram o seminário proposto e dirigido pelo militante do MST e deputado federal Dionilso Marcon (PT-RS).

Representando a presidência da República, o secretário de Articulação da Secretaria Geral, Paulo Maldos, e o secretário executivo da Secretaria de Direitos Humanos, André Lazaro, louvaram a iniciativa. “Essa prática de homenagem e memória é fundamental para nós, lutadores do povo. Atos assim mantêm a memória viva e a indignação acessa”, disse Maldos.


O dirigente do MST, João Paulo Rodrigues, lembrou que o seminário é uma das atividades da jornada de lutas que o movimento realiza anualmente, em torno do dia 17 de abril, “dia de luta pela terra em nível nacional e internacional, reconhecido pelo Estado brasileiro, por lei assinada pelo FHC, um dos culpados desse massacre”, ressaltou. Perguntado pela imprensa sobre onde estaria o “Abril Vermelho”, o dirigente salientou que ele acontecia ali e “nas 75 fazendas improdutivas já ocupadas nesta jornada”, além das manifestações em mais de dez capitais do país.

Reivindicações

Dirigindo-se ao governo, João Paulo cobrou:

“A Dilma tem dito que combaterá a pobreza. Combater a pobreza no campo não é levar bolsa-família e cesta básica, é desapropriar o latifúndio. Nesta semana da jornada de lutas, estamos saindo de Brasília após uma difícil negociação. Mesmo com um governo progressista vemos a lentidão do Estado brasileiro. Não queremos começar esse ano como primeiro ano de governo Dilma, mas como nono ano de governo do PT. Reconhecer as mortes desses companheiros é fazer reforma agrária.”

Ainda em sua fala, o dirigente cobrou do Congresso um posicionamento contra o fechamento de escolas no campo e apontou que a dívida dos assentados e o descontingenciamento de todos os recursos da educação eram as pautas emergenciais que o movimento cobrava em Brasília. Entretanto, o MST pretende voltar com outros movimentos a capital federal, ainda este ano, “com uma plataforma para quatro anos, que vá além das medidas emergenciais”, disse.


O dirigente destacou a importância de uma atividade dentro do Congresso Nacional, “que sempre foi uma barreira para nós e onde a representação do latifúndio é tão forte”.

“Demorou 25 anos para a gente eleger dois sem-terra para esse Congresso, que sempre foi uma barreira para nós. Aqui onde é tão forte a representação do latifúndio. Poder organizar um seminário nessa casa é muito importante.”

O deputado federal Valmir Assunção (PT-BA), também oriundo das fileiras do MST, qualificou o seminário como uma forma de dizer aos latifundiários que os sem-terra também têm expressão dentro da Casa. “Porque aqueles que lá fora dizem que são a favor dos mais pobres, aqui dentro votam a favor da manutenção da estrutura agrária. Digo isso porque ontem tinha uma medida provisória que concedia incentivos fiscais e um deles era para a Monsanto. Nós conseguimos derrotar essa medida impedindo que essa empresa tenha mais lucro para destruir a vida das pessoas. Dissemos ao Caiado que se ele quer discutir a reforma agrária, discutiremos. Mas também discutiremos o agronegócio”, concluiu.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), a liderança do Movimento de Moradia do Centro (MMC), Gegê e o embaixador da Venezuela no Brasil, Maximilien Arveláiz, também compuseram a mesa.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br

quarta-feira, 13 de abril de 2011

Entrevista com Gegê, do Movimento de Moradia: ele promete processar o Estado por violar seus direitos(...)



"Não vou descansar enquanto o Estado não for para o banco dos réus"


Patrícia Benvenuti

O fim de um processo, mas não o fim de uma prisão. Para Luiz Gonzaga da Silva, o Gegê, não há sentença que apague as recordações dos oito anos em que foi acusado de um crime que jamais cometeu.

Um dos líderes do Movimento de Moradia do Centro (MMC), Gegê foi absolvido em um julgamento realizado nos dias 4 e 5 de abril, no Fórum Criminal da Barra Funda, em São Paulo. Ele era acusado de ser mandante do assassinato de José Alberto dos Santos Pereira Mendes, morto em agosto de 2002 em um acampamento do MMC na capital paulista.

De 2002 até o dia de seu julgamento, Gegê foi preso, enfrentou rebeliões e chegou a ser considerado foragido da Justiça. Para o militante, o período representou um corte em sua vida. "Foram oito anos sem ter o direito de viver", resume.

A sessão permaneceu lotada durante os dois dias de julgamento. Políticos e representantes de várias entidades prestavam solidariedade ao líder e denunciavam perseguição política contra Gegê e criminalização contra os movimentos sociais.

Gegê tem um longo histórico de militância social e sindical. O militante participou da fundação do Partido dos Trabalhadores (PT), da Central Única dos Trabalhadores (CUT) e de movimentos de moradia. Além disso, integrou entidades como Unificação das Lutas de Cortiço (ULC), Movimento de Moradia do Centro (MMC), União dos Movimentos de Moradia, Fórum Nacional de Reforma Urbana e Central de Movimentos Populares (CMP).

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Gegê fala sobre a criminalização das lutas políticas e afirma que pretende processar o Estado. "Não vou descansar enquanto o Estado não for para o banco dos réus", garante.

Brasil de Fato - Qual era sua expectativa em relação ao julgamento?

Gegê - Eu vou ser sincero, não tinha nenhuma esperança. Eu não falava isso, mas minha esperança era a mínima possível, porque para mim a questão não estava em julgar o crime, por que quantos milhares de pais de família são assassinados todos os dias nessa cidade de São Paulo e são enterrados na vala do esquecimento? Mataram alguém, tem um assassino, o sistema penitenciário sabe quem foi, sabe o nome, e não procurou. Com isso posso dizer que eu sentia completamente vulnerável, exposto a sair dali com, no mínimo, 12 anos de prisão. Era o mínimo que eu esperava.

O resultado te supreendeu então?

O resultado final não me surpreendeu na medida em que o júri foi acontecendo, os interrogatórios, e a discriminação foi vindo mais à tona. "Eu discrimino porque você é um negro, pobre, um sujeito abusado na sociedade e ao mesmo eu criminalizo a sua luta política". Foi caindo essa máscara, como um tabuleiro de xadrez em que você vai desmontando peça por peça, até chegar ao ponto em que um dos promotores mais duros da história recente do Brasil [Roberto Tardelli] ser obrigado a pedir minha absolvição. Ele pediu porque se sentiu um homem impotente diante dos fatos e dos acontecimentos nesses dois dias [de julgamento], aquele plenário cheio o tempo todo. Eles perceberam, ali, que estavam lidando com um movimento social, que não estavam julgando a pessoa do Gegê.

Como foi esse período de oito anos em que o processo se arrastou?

Foram oito anos sem ter o direito de viver, pagando por uma pena, julgado e condenado já. Penalização total, sem emprego, sem vida familiar, sem vida pública, sem uma vida digna como qualquer cidadão tem direito. Um dia eu estava aqui, no outro dia não sabia onde podia amanhecer. Foram oito anos que, para mim, por conta de uma tragédia e de uma irresponsabilidade de um ser humano, eu fui acusado de um crime do qual jamais seria cúmplice. E eu paguei por esses oito anos, e aliás eu continuo pagando. Mesmo no dia 5, sendo dito "você está livre", eu continuo pagando, e mais caro inclusive porque agora vem a censura, "você não pode falar isso", "você não pode falar aquilo". Terminou uma fase, um processo no dia 5, mas vem outra fase mais dura, que são as preocupações que eu vou ter na minha vida. Eu vou ter que sair em busca de uma forma de sobrevivência. Esses oito anos foram um corte total na minha vida. Foram anos que me impediram de fazer o que eu queria, era um direito meu, viver minha vida. E eu fiquei preso nesses oito anos. Convivi com tentativas de fuga em DP, com três rebeliões. Eu não posso esquecer essas coisas, e ninguém pode exigir isso de mim. Por pior que tenham sido esses oito anos, tenho a obrigatoriedade de lembrá-los a cada segundo daqui pra frente.

Sua segurança também te preocupa daqui pra frente?

Eu estou inseguro, não nego para ninguém. Eu continuo preso, em prisão domiciliar, que para mim é a pior prisão possível. Eu estou livre, mas muito longe de ter liberdade. Eu não sei a hora em que eu sair desta casa e puser o pé na rua o que estará por trás, nas minhas costas. Quem fez o que fez para me obrigar a viver oito anos como eu vivi pode estar insatisfeito e dizer "agora sim eu posso tirar a vida dele". Eu não tenho medo de nada, mas me preocupa a traição. Essa insegurança para mim é muito forte. Eu não tenho dinheiro para contratar segurança, e o Estado me negou esse direito. Se o Estado tivesse me oferecido segurança, talvez hoje eu estivesse livre disso. Em 2001, nós [do Movimento de Moradia do Centro] chegamos a pedir segurança para o Estado, procuramos a Secretaria de Justiça do Estado de São Paulo, por meio do [secretário] Saulo Ramos, e ele nos negou. Eu tentei mostrar várias mensagens que eu tinha recebido, ameaças de morte gravadas, e ele não ouviu uma mensagem sequer. Ele só disse que era impossível dar segurança para o Gegê ocupar prédios públicos. Disse assim, ironicamente. Eu não posso dizer hoje que estou livre dessa bala perdida e, por isso, não posso dizer que estou em liberdade.

Na tua avaliação, quem e que interesses estão por trás da tua perseguição?

Não sei. Se eu soubesse, já teria resolvido esse caso. Se eu sei que são algumas pessoas, eu vou direto até elas. Mas o que eu posso dizer é que por trás de tudo isso está o Estado burguês em que eu vivo, que me perseguiu, me pondo na prisão domiciliar. E por isso esse Estado não está livre de sofrer sanções. Jamais perdoarei o Estado.

Você pretende em processar o Estado?

Eu vou processar. Vou ainda fazer uma reunião com meu advogado. Quero processar o Estado por aquelas pessoas que tentaram me condenar e pôr essas pessoas na cadeia. E não quero pouca coisa, quero arrancar o que eu puder do Estado porque não se paga oito anos como eu vivi e estou vivendo simplesmente com a palavra e um pedaço de papel dizendo que você está livre. Quero dizer para o Estado "você está pagando pelo seu erro, pela sua incompetência". Nunca se foi atrás da pessoa que cometeu o crime, nunca se soube quem foram as outras duas pessoas que entraram [no acampamento]. O Estado tinha a obrigação de procurá-los, mas não foi atrás porque não teve vontade. Não foi feito um trabalho investigativo mínimo nesse processo. O único trabalho foi o de me condenar. Um investigador responsável pelo processo foi me procurar com a arma na mão, apontada para minha cabeça. Não só eu, mas todos e todas que estavam em volta desse processo de transformação social saímos perdendo. O mínimo que nós estivéssemos fazendo na cidade de São Paulo, ações, passeatas, atos públicos, as pequenas conquistas, era um avanço na luta de classes. E esse Estado percebeu isso. Teve uma vida, teve um criminoso, mas o que interessa é a criminalização dos movimentos sociais. Não vou descansar enquanto o Estado não for para o banco dos réus.

Qual pode ser o significado da tua absolvição para a luta dos movimentos populares?

Isso mostrou que é preciso resistir. Fomos absolvidos, mas não na totalidade. Na noite de quarta (06) a gente reuniu o “Comitê Lutar Não é Crime” [comitê criado por entidades em São Paulo para combater a criminalização dos movimentos sociais] e reafirmou que o Comitê não vai fechar as portas.

Qual a situação dos movimentos de moradia hoje?

Hoje os movimentos de moradia comemoram porque tiveram uma reunião com o prefeito [Gilberto] Kassab. Isso não é vitória. Isso é uma conquista mínima, sentar com o poder público para discutir. A conquista real será quando você não tiver sem-tetos nas ruas, drogados nas ruas, meninos e meninas de rua nos farois, meninas vendendo seu corpo para sobreviver. Aí sim teremos uma vitória, vamos eliminar os males do sistema capitalista e estaremos na mesma frente pelo direito de viver com dignidade. Mas os movimentos de moradia esqueceram essa política, é cada um para si. Enquanto isso, milhões de pessoas ficam jogadas nas ruas.

E qual deve ser o papel dos movimentos de moradia em relação aos megaprojetos para a realização da Copa do Mundo?

Os movimentos têm que ir para a rua mostrar os problemas vão ser gerados por conta dos megaeventos e dos megaprojetos. As pessoas não sabem qual será o impacto ambiental da construção do estádio do Corinthians, em Itaquera [na zona leste de São Paulo]. O povo não sabe que não poderá chegar nem perto do estádio, vai ficar sabendo disso na hora H. A lei de exceção vai ser imposta em cada estado, em cada hotel em que estiver uma delegação. E será que, passou a Copa, essa lei de exceção não vai permanecer? O povo está ansioso para que chegue esse momento, mas mal sabe ele que os impactos são pesadíssimos, sem contar que está em jogo a nossa soberania. Só na ditadura militar a gente vê isso. A gente lutou tanto, morreu tanta gente para se pôr fim à lei de exceção e agora ela está aqui, de volta. Vem aqui um Obama da vida e ninguém pode abrir uma faixa contra a presença dele que vai pra cadeia. Quantos milhões vão ser gastos com a Copa aqui no Brasil? Não vou ser contra a Copa, mas por que se gasta tanto dinheiro com a Copa e não se gasta com a miséria e a violência? Dez por cento do que será gasto poderia ser aplicado no combate à violência contra a juventude, a mulher, o negro. Para fazer um estádio para 65 mil pessoas, eles vão mexer com dezenas de milhares de famílias, e vão para onde essas famílias? E aí vem o prefeito dizer que esse povo vai ser colocado na região central. Vai poder onde? Só se for na rua. Mais mendigos morando embaixo das pontes e das marquises.

Fonte: http://www.brasildefato.com.br/

sábado, 9 de abril de 2011

São Paulo me mata de vergonha



Ser a única grande cidade brasileira a fazer um ato público de apoio aos delírios nazifascistas do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) era só o que faltava para terminar de envergonhar São Paulo diante do país depois de chocá-lo com os reiterados ataques a homossexuais na avenida Paulista, com a segunda pior educação pública do país e com uma polícia que ganha salários piores do que os pagos no Piauí apesar de esta ser a cidade mais rica do Brasil.

Nem no Rio de Janeiro, base eleitoral de Bolsonaro, os degenerados que apóiam suas idéias criminosas tiveram coragem de sair à luz do sol para defendê-lo. Em São Paulo, demonstrando que a burrice paulistana não se resume a escolher os piores governantes locais do país, dezenas de bolsonarinhos foram ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), na avenida Paulista, para defender seu ídolo e pregar ódio e intolerância.

Sentindo-se à vontade em uma cidade em que parte expressiva da população pensa como Bolsonaro, a direita racista e homofóbica mostrou a cara no ato público em questão, mas acabou deparando com uma contramanifestação de defensores dos direitos dos homossexuais, um ato corajoso e insensato porque, do outro lado, havia criminosos conhecidos e procurados, o que gerou uma dezena de prisões de bolsonaretes.

Em nenhuma outra parte do país, neonazistas e skinheads, entre os quais devem estar os que vêm aterrorizando homossexuais na avenida Paulista, teriam coragem de sair assim tão abertamente à luz do sol. Alem de dementes, são burros. Mas o ambiente paulistano certamente contribuiu para induzi-los à crença de que não seriam presos mesmo ostentando até símbolos nazistas.

São Paulo me mata de vergonha. A mim e a todos os milhões de paulistanos decentes e normais da cidade. Em que pese que a maioria pensa exatamente como os bandidos que a polícia deteve, os paulistanos de respeito são em número suficiente para povoar várias grandes cidades.

A você, paulistano que apóia Bolsonaro, Serra, FHC, Maluf, Alckmin e outros dinossauros da política brasileira, e que acha que orientação sexual é doença e quer deportar nordestinos, ou que acredita em bater em filhos “gayzinhos” para “curá-los”, imploro que pare de fazer sua cidade passar vergonha ao difundir as tuas idéias doentias.

Acorde, paulistano. Pare de votar em incompetentes como Serra, Kassab e Alckmin só por raiva de “petistas”. A cidade e o Estado estão afundando. Temos os policiais e os professores mais mal pagos do país. A violência cai nos indicadores da Secretaria de Segurança e explode nas ruas. A cidade vira um inferno com a menor chuva.

Acorde, paulistano. Entre no século XXI. Homossexual não é doente, nordestino é tão brasileiro quanto qualquer um e tem o direito de estar aqui. Esses políticos dementes que você está elegendo ainda vão levar a sua vida numa enxurrada ou em um ataque criminoso desses que não param de aumentar. Pelo amor de Deus, reacionário paulistano, pare de envergonhar esta cidade. Nem todos, daqui, têm culpa pela tua burrice.

Fonte: http://www.blogcidadania.com.br

sábado, 2 de abril de 2011

Por uma nova ordem societária!!! Um bom Domingo à todos os companheiros de luta...

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Estudante recebe ameaças de morte após denúncia de racismo

Com ameaças da Brigada Militar, o baiano Helder Santos teve que deixar a cidade de Jaguarão, no RS

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Depois de ser vítima de racismo e de receber ameaças de morte por parte da Brigada Militar, o estudante da Universidade Federal do Pampa (Unipampa), o baiano Helder Santos, de 25 anos, teve que deixar a cidade de Jaguarão, no sul gaúcho. Helder havia se mudado para o município para estudar História na Unipampa, por meio do Enem.

Os incidentes começaram uma semana antes do Carnaval, em uma festa. Helder afirma ter sido agredido por policiais militares durante uma abordagem, além de ter recebido tratamento racista. Após denunciar as agressões para a Corregedoria da Brigada Militar e para a imprensa, o estudante passou a receber cartas com ameaças de morte.

O caso está sob análise da Secretaria Especial de Promoção da Igualdade Racial, ligada à Presidência da República, e da Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público do Rio Grande do Sul. A Brigada Militar também tem duas sindicâncias em andamento contra um soldado, um sargento e o comandante da Brigada Militar de Jaguarão, major José Antônio Ferreira.

Helder tenta, agora, transferência para uma universidade da Bahia, a fim de retomar os estudos. Em entrevista para o Coletivo Catarse, Helder relata os episódios e diz temer retaliações contra um amigo baiano, que permanece em Jaguarão.
Fonte:http://www.brasildefato.com.br

Praia Grande pede a criação de mais um Conselho Tutelar


O Conselho Tutelar de Praia Grande, no Boqueirão, deverá solicitar ao Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) a criação de mais um conselho tutelar. O reforço é para o órgão se adequar à demanda existente hoje no Município. O pedido será embasado na Resolução 139 do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), publicado pelo Diário Oficial da União no último dia 15.

Conforme o parágrafo 1º do Artigo 3, cada município deverá criar e manter conselhos tutelares observando a proporção mínima de um conselho para cada 100 mil habitantes. Praia Grande tem 260.769, segundo o censo do IBGE. A criação do novo conselho implica na alteração da legislação municipal. Por isso, a elaboração de um projeto de lei que vise essa mudança tem que partir do próprio Executivo, uma vez que gera despesa aos cofres públicos.



Demanda

Segundo o conselheiro tutelar Carlos Eduardo Barbosa, o Cadu, um conselho tutelar não é suficiente para atender à demanda. Na região, o Município tem a maior proporção população/conselho tutelar. De acordo com o conselheiro tutelar Marcos Tadeu Rossi Paula, o Tito, no ano passado, entre janeiro e dezembro, a média de atendimentos mensais foi de 240 de dia e 210 à noite.

"O atendimento é grande". Na alta temporada, a situação se agrava. "Segundo ouvimos falar, Praia Grande chega a um milhão de habitantes. A polícia recebe reforço, os hospitais recebem reforços. E o conselho é um, com a mesma estrutura, com cinco conselheiros", compara Cadu.

A quem cabe

"A decisão (de criar mais um conselho) compete ao Executivo, para remessa de um projeto de lei, ea decisão final, do Legislativo", explica o promotor da Vara da Infância e Juventude, Carlos Cabral Cabrera. "O estatuto (da Criança e do Adolescente ­ ECA) dá ao Município a competência para legislar sobre a criação e o funcionamento dos conselhos".

Na avaliação do promotor, para afirmar que há necessidade de mais um conselho tutelar na Cidade, é preciso considerar o histórico da unidade. "Nós tínhamos um conselho, até antes desse mandato que está sendo exercido agora, que funcionava 24 horas apenas em regime de plantão", lembra Cabral.

"Então, não tínhamos cinco conselheiros na sede. Essa era uma característica da lei municipal. Tínhamos um conselheiro na sede e um de plantão 24 horas. Acabava que eu nunca tinha os cinco na sede", afirma o promotor. Recentemente, a lei municipal foi alterada, determinando que o funcionamento do conselho ocorra no horário normal de trabalho e os cinco conselheiros permaneçam na sede, e só um em plantão de 24 horas. "Isso já trouxe uma nova forma de atuação para o conselho", argumenta Cabral. "Na época, chegamos até a cogitar se era necessário o segundo conselho. Na verdade, não tínhamos um parâmetro legal para determinar ou não a criação de um segundo conselho". A alteração do horário de expediente do órgão, à época, atendeu às necessidades.

"Não podemos nos esquecer que não havia um parâmetro legal dizendo quantos conselhos deveria ter. A lei federal determinava, no mínimo, um conselho", adverte Cabral. "Com a resolução do Conanda, aí sim, a coisa ficou mais transparente. Pela população de Praia Grande, hoje, comportaria pelo menos dois conselhos. Aí eu acho que não é questão nem de oportunidade e conveniência", ressalta o promotor. "O fato é que o órgão nacional, que regulamenta a questão, diz que o atendimento mínimo seria de dois".

SERVIÇO - O CONSELHO TUTELAR FICA NA RUA OSWALDO DE OLIVEIRA, 226. TELEFONES: 3474-4312 OU 0800-773 9933. INFORMAÇÕES: WWW.CONSELHOTUTELARPRAIAGRANDE.COM.BR.



Prefeitura diz não ter pedido de órgão

Em nota, o Gabinete da Prefeitura diz que ainda não foi feito pedido oficial para que se crie mais um conselho tutelar. Caso isto venha a acontecer, de acordo com o Gabinete, o pedido será encaminhado ao Ministério Público (MP) da Infância e da Juventude que, "por sua vez, avaliará os relatórios que trimestralmente devem enviar os membros do Conselho ao MP para análise do pedido, avaliação da demanda para, ao final, posicionar-se a favor ou contrário à solicitação".

O Gabinete ainda destaca que "há que se levar em conta que a criação de um outro Conselho Tutelar interfere com a Lei Orçamentária Municipal, já que há necessidade de aprovação de dotação específica para implantação, manutenção, e funcionamento dos mesmos e custeio de suas atividades".

Fonte: http://www.atribuna.com.br

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Centro de Triagem de Animais Selvagens - CETAS da UNIMONTE é tema de reportagem do Rota do Sol da TV Tribuna



Professora Cláudia Carvalho, do curso de Medicina Veterinária, explica para o
programa Rota do Sol, da TV Tribuna,
como é o dia-a-dia no CETAS Unimonte


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quinta-feira, 17 de março de 2011

Santos - SP: tartaruga pesando 400kg é encontrada na Praia


Veterinária diz que tartaruga encontrada na Ponta da Praia permanecerá no Aquário para tratamento

A tartaruga gigante encontrada pela manhã no canal do Estuário permanecerá no Aquário por no máximo 10 dias, adiantou a veterinária Cristiane Lassálvia, que acompanhou, com biólogos e técnicos do Aquário, o processo de transporte do animal.

De acordo com a especialista, por consumir apenas águas-vivas, que não estejam mortas, o animal marinho receberá alimentação parenteral, soro, vitaminas e antibiótico.

“Vamos melhorar seu estado clínico geral para devolvê-la ao mar o mais breve possível”, explicou.

Serão colhidas amostras de sangue para a realização de hemograma e avaliação de bioquímica sanguínea e, se necessário, o animal será submetido a raios-X.

Espécie ameaçada

A tartaruga-de-couro (Dermochelys coriacea) foi vista por pescadores que estavam em embarcações paradas no canal do Estuário. Sentindo a dificuldade do animal, pescadores pularam na água e encaminharam a tartaruga até a parte da areia para que fosse feito o resgate.

O transporte do animal que pesa cerca de 400 kg e mede por volta de 1,80 m, sendo 1,50 somente de casco, envolveu nove pessoas, entre policiais ambientais e técnicos do Ibama.

De espécie criticamente ameaçada de extinção, o animal foi transportado com a cabeça, nadadeiras e carapaça protegidas por uma manta plástica. Cordas e redes auxiliaram na locomoção da tartaruga.

O animal permanecerá isolado em um tanque de 2,5 m de diâmetro e 2 mil litros de água salgado. O espaço permite acesso apenas a profissionais do Aquário.

“Trata-se de um animal diferenciado, que vive em alto mar, encontrado em todo o Oceano Atlântico, mas que, no Brasil, desova apenas no litoral do Espírito Santo, isto é, retornando ao local onde nasceu, uma característica das tartarugas marinhas”, explicou o biólogo Demétrio Martinho, lembrando que essa espécie não sobrevive em cativeiro.
Fonte: http://www.atribuna.com.br

domingo, 13 de março de 2011

Guarujá - SP: trabalhadores sergipanos acusam empresa em Guarujá de irregularidades


Os operários vieram de São Domingos, Sergipe, e estão alojados em uma casa com condições precárias

Trabalhadores da Engetal Engenharia, que presta serviços para a Prefeitura de Guarujá nas obras de canalização do Rio Acaraú, na Vila Áurea, em Vicente de Carvalho, acusam a empresa de ferir direitos trabalhistas.

Os seis operários vieram da cidade de São Domingos, em Sergipe, e estão alojados em condições precárias numa casa em Vicente de Carvalho. Depois de um mês de trabalho, na última sexta-feira a empresa comunicou que eles seriam demitidos.

O encarregado Osmar de Jesus Silva, de 22 anos, alega que a empresa não depositou corretamente o valor das verbas rescisórias e que desde sexta-feira os seis não recebem alimentação da empreiteira. “Nós nos recusamos a assinar a demissão e queremos nossos direitos”.

Sem motivo

Segundo Osmar, os trabalhadores viajaram três dias para chegar em Guarujá, com a promessa de que o serviço duraria pelo menos um ano.

“Sem mais nem menos eles demitiram a gente. Fizemos dívidas em nossa cidade para comprar as passagens e vir para cá. Agora o dinheiro que eles depositaram praticamente não paga a nossa volta para casa”, revolta-se Osmar, que deixou na cidade natal a mulher e um filho de apenas 15 dias.

A casa onde os operários estão morando não tem condições mínimas de habitabilidade. O banheiro está com problemas de extravasamento de esgoto e um dos cômodos está alagado por causa de uma infiltração de água na laje.

Micose

O ajudante de pedreiro Rafael dos Santos, de 20 anos, alega que contraiu uma micose por falta de equipamento de trabalho. “Tive que entrar no Rio Acaraú sem botas adequadas e agora estou com várias feridas na perna”.

Diego de Jesus Santos, outro ajudante de 20 anos, mostra que na carteira de trabalho a remuneração é por horas trabalhadas. Cada hora vale R$ 3,77. “Um ajudante ganha cerca de R$ 830,00. Trabalhamos um mês e depositaram pouco mais de R$ 600,00, já contando com as verbas rescisórias. Tá errado”.

O encarregado geral da Engetel, Ely de Almeida, nega as acusações. Ele argumenta que a empresa pagará as passagens para o retorno dos trabalhadores a Sergipe.
“O contrato de trabalho é de 45 dias, prorrogáveis por mais 45. Eles trabalharam 30 dias, nós pagamos 45 dias mais a multa. Estou à disposição para acompanhá-los ao Ministério do Trabalho para que um novo cálculo seja feito”.

Em relação à alimentação, Ely garante que o estabelecimento próximo ao alojamento conveniado com a empresa continua fornecendo refeições para os operários. “Também nos prontificamos a acompanhar o trabalhador que contraiu a micose ao médico e no exame demissional. Arcaremos com despesas de atendimento e com os medicamentos”.

Obra

Segundo Ely de Almeida, as obras, orçadas em R$ 8 milhões, seguem normalmente. Os serviços haviam sido paralisados em outubro de 2008 por falta de prestação de contas do governo municipal junto ao Departamento de Apoio ao Desenvolvimento das Estâncias (Dade). A obra recomeçou no início deste ano.

Fonte: http://www.atribuna.com.br

Cubatão - SP: Prefeitura abre Concurso Público para 250 vagas na área de saúde


Prefeitura de Cubatão abre nesta segunda-feira inscrições para concurso público

A Prefeitura de Cubatão faz processo seletivo para 250 vagas na área da saúde em vários níveis de escolaridade (fundamental, médio e superior completo). O edital será publicado nesta segunda-feira, quando começam as inscrições.

As funções disponíveis são: médico generalista (22); enfermeiro (22); auxiliar de enfermagem (32); agente comunitário (117); dentista (cadastro de reserva); auxiliar de cirurgião dentista (9); fisioterapeuta (4); psicólogo (9); educador físico (3); assistente social (2); fonoaudióloga (2); auxiliar administrativo (22); médico ginecologista/obstetra (4) e supervisor (2). Para o cargo de agente comunitário, as 117 vagas serão distribuídas de acordo com o número de vagas por bairro.

As inscrições podem ser realizadas no Posto de Atendimento ao Trabalhador de Cubatão – PAT (na Rua Doutor Fernando Costa, 1.096 – Vila Couto) ou pelo site do Gruhbas Projetos Educacionais e Culturais www.gruhbas.com.br.

Fonte: http://www.atribuna.com.br

Praia Grande - SP: homem tem AVC, espera vaga, mas morre na fila


Maurício Martinez morreu enquanto família fazia vigília do lado de fora do PS Central

Quarta-feira de Cinzas. 12h20. O telefone da sucursal de A Tribuna em Praia Grande toca. "É da Tribuna? Preciso da ajuda de vocês. Meu irmão deu entrada com AVC no PS Central segunda-feira. Ele precisa de uma vaga na UTI e até agora não conseguiu".

Desde segunda-feira, a família de Maurício Martinez, morador de Praia Grande, vivia um drama que tem sido comum a dezenas de outras famílias que dependem do SUS da região: aguardar a liberação de vaga em UTI.

Vítima de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), o paciente de 52 anos, ironicamente, até ontem estava no Pronto-Socorro Central, a poucos metros do Hospital Irmã Dulce. Um local que, teoricamente, poderia recebê-lo, já que tem 20 leitos de UTI Adulto. Mas todos estavam ocupados.

No entanto, apesar da proximidade, até ontem à tarde, Martinez ocupava um leito no Pronto-Socorro Central, serviço no qual, também teoricamente, deveria ficar somente o tempo necessário para receber o primeiro atendimento, até ser estabilizado e levado para um leito de UTI.

Como ocorre nos demais municípios da Baixada Santista, para conseguir leito na UTI de qualquer hospital público da região, o paciente depende da Central Reguladora de Vagas, controlada pela Secretaria da Saúde do Estado. Sem saberem a quem recorrer,a mulher e a irmã do paciente, Rosimeire Sanchez Martinez e Luciana Marchini de Carvalho, respectivamente, temiam pela vida de Martinez e assistiam, impotentes, à sua gradativa piora.

"Eles falam que o estado dele é estável",contou Luciana."No primeiro dia (segunda-feira) ele não estava entubado.Mas ontem(terça-feira),tiveram de entubá-lo". Conforme Luciana, terça-feira, enquanto levavam Martinez para fazer tomografia, a família percebeu uma movimentação estranha e notou que algo grave estava acontecendo.

"Fomos falar com o médico e pedimos para ver o prontuário dele", relatou a irmã do paciente. "Aí, o médico disse que ele tinha tido uma parada (cardiorrespiratória)". Durante toda a tarde, Luciana ficou do lado de fora do PS Central, ao lado da cunhada, tentando obter informações sobre o quadro clínico do irmão e a respeito da vaga.

Às 16h45, a irmã do paciente, por telefone, já não tinha esperança. "Estou esperando a hora. Ele vai morrer sem ter a menor dignidade, sozinho, num canto da emergência. Ele entrou no pronto-socorro andando e falando. E só foi piorando. Não melhorou em nenhum momento".

Segundo Luciana, na sala da emergência, o irmão ficava a maior parte do tempo sem assistência. "Burlo, toda hora, o segurança que fica na porta e vou até a porta da emergência e vejo que não tem ninguém ali. Ele vai morrer abandonado". Maurício Martinez morreu ontem, às 18h15, na sala de emergência do PS, enquanto a família fazia vigília do lado de fora.

Secretário faz críticas à Central

O secretário de Saúde de Praia Grande, Adriano Bechara, afirmou que houve demora para conseguir leito de UTI na região. A Central Reguladora de Vagas do Estado diz que desde o início havia vaga de UTI e que o paciente não fora removido por conta apenas de seu quadro clínico.

Bechara tem outra versão. Segundo o secretário municipal de Saúde, a vaga de UTI surgira somente ontem, durante o dia, em outra cidade. "Não sei ao certo qual hospital era", disse Bechara. "O paciente estava num estado tão grave, que ele não teria condições hemodinâmicas para ser transportado numa ambulância-UTI. A chance dele morrer no caminho seria muito grande. Então, o médico contraindicou a remoção".

De acordo com o secretário, "a vaga surgiu fora do tempo, depois de quando poderia ser feita alguma coisa". Devido à gravidade do caso de Martinez, não é possível dizer se ele sobreviveria caso fosse para a UTI. "O final poderia ser o mesmo, ele entrar em morte cerebral. Mas ele teria o tratamento de terapia intensiva. Se o pronto-socorro fosse suficiente, não precisaria de UTI", ressaltou o secretário de Saúde.

"O que cabia a nós foi feito", garantiu Bechara. "Ele teve tratamento com clínico geral, neurocirurgião; recebeu todas as medicações; fez tomografia. Mas não tinha vaga de UTI. Todos os leitos da Cidade estavam ocupados".

Na avaliação de Bechara, a localização da Central de Regulação de Urgência e Emergência diminui a agilidade de resposta do serviço. "Ela é centralizada em São Paulo e está sendo alvo de críticas de vários secretários de Saúde, que não estão se sentindo confortáveis de ter uma central de regulação longe de nossa região", explicou. "Já fizemos uma reclamação informal", prosseguiu. "Até agora não foi resolvido. Acredito que tenha de ser solucionado e o Estado tenha de se posicionar, se acha que esse sistema é o melhor".

Fonte: http://www.atribuna.com.br

sábado, 12 de março de 2011

Santos - SP: cidade terá unidade regional do Instituto do Câncer


Santos vai ganhar um Centro de Referência do Câncer, que funcionará no Hospital Guilherme Álvaro para o atendimento integral de pacientes da região. A unidade, uma espécie de filial do Icesp (Instituto do Câncer de São Paulo), foi anunciada nesta saxta-feira (11) pelo governador Geraldo Alckmin, e faz parte de um pacote de medidas para a melhoria da saúde na Baixada Santista, com R$ 90 milhões aplicados ao longo deste ano.

Os investimentos incluem ampliação do número de leitos, criação e reforma de unidades, e foram divulgados para prefeitos, secretários de saúde e autoridades da Baixada na sede do Ame (Ambulatório Médico de Especialidades) de Santos.

Para abrigar o Centro de Referência do Câncer, o Hospital Guilherme Álvaro passa por ampliação e reestruturação. A unidade terá o apoio e padrão do Icesp, considerado o maior centro especializado em oncologia da América Latina. A previsão é de que o serviço comece a funcionar até o final deste ano.

Com o novo espaço, os pacientes da região poderão ser tratados mais próximos de suas cidades de origem. O ‘Icesp 2’, como será conhecido o centro na Baixada, oferecerá serviços de radioterapia e quimioterapia e internação. Hoje, os pacientes com câncer, tratados pelo SUS (Sistema Único de Saúde), precisam se deslocar para a capital para serem atendidos.

Segundo o governador, Santos também será beneficiada pela implantação da Rede Lucy Montoro, referência na reabilitação de pacientes, incluindo pessoas com deficiência. A previsão é de que a unidade funcione no segundo semestre deste ano, servindo também a toda região. A Santa Casa de Santos será contemplada com recursos do programa Pró-Santas Casas, que vai liberar R$ 94 milhões extras para hospitais filantrópicos do Estado. A Baixada receberá R$ 1,9 milhão.

Recuperação

Para o governador Alckmin, o pacote de investimentos no setor de saúde da Baixada Santista corresponde a um conjunto de soluções metropolitanas. "Os governos estadual e federal e prefeituras devem ser parceiros para fazer o máximo e preservar a vida da população de São Paulo".

O prefeito João Paulo Tavares Papa entende que as medidas "estão em sintonia com o diagnóstico da realidade local, elaborado pelas prefeituras em conjunto com o Estado, e trarão benefícios à região metropolitana. Santos poderá prestar atendimento de melhor qualidade, pois haverá um equilíbrio na estrutura da Baixada, o que vai ajudar a desafogar a rede básica e os prontos-socorros do município".

Ainda sobre o pacote de ações, o secretário de Saúde do Estado, Giovanni Guido Cerri, destacou que "são medidas que vão melhorar a situação da saúde na Baixada a curto prazo". David Uip, coordenador da Agência de Saúde, disse que os investimentos proporcionarão também "a necessária qualificação dos profissionais da área".

Regional

Durante a visita, Alckmin elencou as demais ações do pacote de medidas da Agência de Saúde da Baixada, criada em janeiro visando à melhoria do sistema de saúde na região, e que conta com a participação dos nove municípios da Baixada Santista, além da Secretaria de Estado da Saúde, entre outros órgãos estaduais.

Em Bertioga haverá ampliação de leitos no hospital municipal e será criada a Unidade de Sustentação da Vida, para pacientes em estado grave. Praia Grande deverá ter melhorias nos leitos de alta complexidade. Peruíbe ganhará um AME (Ambulatório Médio de Especialidades) e reforma no pronto-socorro. Mongaguá contará com mais 38 leitos, e Itanhaém, outros 140.

Cubatão terá uma unidade básica de saúde. Em Guarujá, o antigo hospital ‘Ana Parteira’ será transformado no Instituto de Infectologia Emílio Ribas 2, que será referência no atendimento de doenças infecciosas e parasitárias. No mesmo espaço será instalada a segunda unidade do Instituto Adolfo Lutz, para exames.

Fonte: http://www.santos.sp.gov.br

segunda-feira, 7 de março de 2011

sábado, 5 de março de 2011

McDonald´s na mira da justiça: Tribunal Superior do Trabalho decide pela ilegalidade da jornada móvel

De acordo com a decisão, cláusula contratual deve ser invalidada, porque a atividade nessa condição é prejudicial ao trabalhador


Nesta quinta-feira (03) o Tribunal Superior do Trabalho divulgou decisão contrária à jornada móvel e variável praticada pela rede de restaurantes fast food McDonald´s. A Oitava Turma do TST entendeu que a submissão do trabalhador a essa condição é prejudicial, assim, a cláusula contratual estabelecida pela rede que prevê este tipo de jornada deve ser invalidada.

Trata-se de uma decisão referente a uma ação ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho em defesa dos direitos dos funcionários do McDonald´s. Em primeira instância, o Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região, no Paraná, havia dado parecer favorável à jornada móvel e variável. O MPT entrou com recurso, que foi acolhido pelo TST.

O contrato de trabalho do McDonald´s estabelece que empresa decidirá o quanto o funcionário irá trabalhar. A cláusula determina que a jornada semanal não deve ser inferior ao mínimo de 8 horas nem ultrapassar o limite de 44 horas. Além disso, a remuneração será feita de acordo com as horas trabalhadas.

Com a decisão do TST, o McDonald´s fica obrigado a não utilizar mais este tipo de contrato, devendo substituir a jornada móvel por “jornada fixa, em todas as suas lojas, obedecendo-se as previsões constitucionais e infraconstitucionais”. Também fica estabelecida a garantia ao trabalhador do “pagamento do salário mínimo da categoria profissional, de acordo com a Convenção Coletiva de Trabalho, independentemente do número de horas trabalhadas”.

De acordo com o recurso apresentado pelo MPT, a jornada móvel e variável prejudica o trabalhador, porque o deixa à mercê da vontade do empregador, impedindo a organização de sua vida profissional, familiar e social, pela incerteza quanto ao horário que irá trabalhar e o valor que receberá de salário mensal.

A ministra Dora Maria da Costa, relatora do recurso do MPT na Oitava Turma do TST disse que ao convocar o trabalhador para os períodos de maior movimento e dispensá-lo em baixa temporada, quando o fluxo de clientes é menor, a empresa obriga o trabalhador a assumir os riscos do negócio que, na verdade, são de responsabilidade dela.

Segundo a ministra, “é bom para ambas as partes que a jornada de trabalho estabelecida em contrato seja certa e determinada, uma vez que o contrário atende apenas a necessidades empresariais e assim afronta o princípio de proteção do trabalhador, assegurado no artigo 9º da CLT [Consolidação das Leis Trabalhistas]”.

Fonte:
http://www.brasildefato.com.br/node/5832

Vítima de enchente, homem morre afogado em Peruíbe - SP


A enchente que atingiu Peruíbe nesta semana fez uma vítima fatal na Vila Romar. O servente de pedreiro Ivo Pinto Sabino, de 40 anos, morreu vítima de afogamento.

De acordo com as informações do boletim de ocorrência, por volta das 11h30 desta sexta-feira, uma equipe da Polícia Militar foi acionada para atender ocorrência de encontro de cadáver. Os dados indicavam que pela Rua Amapá haveria o corpo de um homem boiando nas águas da enchente.

Os policiais se dirigiram até o endereço mas quando chegaram na rua que daria acesso constataram que ela estava alagada, impossibilitando seu acesso.

O Corpo de Bombeiros foi chamado e uma equipe foi de bote até o local indicado. Lá o corpo foi encontrado e levado até uma área seca. Um irmão do servente o identificou.

Foi requisitada realização de perícia e posteriormente o corpo foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Praia Grande para passar por exame necroscópico. A morte foi registrada na Delegacia Sede de Peruíbe.

Fonte: http://www.atribuna.com.br/

quarta-feira, 2 de março de 2011

Baixada Santista: chuvas provocam alagamentos e prejuizos aos moradores

Com a água dentro de casa, moradores da região sofrem mais um dia de caos



“Estou com a água na altura do joelho. Moro em Cubatão há quatro anos e nunca vi a cidade deste jeito”. O desabafo é da dona de casa Andressa da Silva, de 24 anos. Além do prejuízo financeiro, já que em quatro anos, mais de quatro vezes as mobílias de sua residência já foram trocadas, Andressa teme pela saúde do filho, de apenas 5 anos.

A dona de casa mora na Vila Esperança, próximo ao Viaduto da Cidade e conta que há quatro anos sempre enfrentou transtornos com as chuvas. “Perdi as contas de quantas vezes tive minha casa alagada. Desta vez, perdi até as gavetas do meu guarda-roupa”.

Atualmente desempregada, a dona de casa colocou tudo o que pôde para cima, a fim de evitar uma tragédia maior. “A geladeira e o fogão são novos. Coloquei eles em cima de um banco. Mas estou com muito de medo de perder minha TV”. O equipamento, segundo a moradora, está sob uma estante de madeira, que ameaça desabar caso a água da chuva não escoe.

Caos na Baixada Santista

Além de Andressa, centenas de moradores da Baixada Santista viveram um dia de caos por causa da chuva que atinge a região desde a noite deste domingo.
São Vicente, Santos e Cubatão foram os municípios mais prejudicados.


Em Santos, de acordo com a Defesa Civil, os morros entraram em estado de atenção. O índice pluviométrico acumulado até o meio-dia é de 131,4 mm, o equivalente a quase metade do índice histórico de todo o mês de fevereiro, que é de 274 mm.

Na Cidade foram registradas duas ocorrências de queda de muro, uma no Morro do Saboó e outra no Morro Santa Maria, e três pequenos deslizamentos de terra nos morros São Bento e Penha. Não houve interdições de moradias.

De acordo com a dona de casa Sueli de Siqueira, de 52 anos, a situação em Mongaguá não é diferente. "Moro aqui há apenas um ano e sempre que chove é um problema. A Prefeitura precisa tomar alguma providência. Tem muitas casas alagadas aqui. A minha está um aguaceiro só".

Ainda conforme a dona de casa, já foram feitos alguns abaixo-assinados solicitando o auxílio do poder público, mas até agora nada foi feito.

Em São Vicente, Jóquei Clube, Catiapoã, Jardim Guassu, Parque São Vicente, Vila Margarida, Parque Bitaru e Vila São Jorge são os bairros mais prejudicados. Vários trechos das linhas Vermelha e Azul estão embaixo d’água.



Já em Cubatão, algumas famílias que moram em áreas de risco, tiveram que deixar suas casas durante a madrugada. A Defesa Civil ainda não informou o balanço de famílias desabrigadas. Houve deslizamentos no Pilões e na Cota 95 e, por conta da cheia do Rio, várias ruas ficaram alagadas.

A Prefeitura de Cubatão remove moradores das áreas de risco nas encostas da Serra do Mar, principalmente da Cota 95, Grotão e Pilões, para o antigo abrigo feminino, na Rua Fernando Costa, em caminhões e ônibus, já que as fortes chuvas impedem a passagem de automóveis.

Nas últimas 24 horas a Cidade registrou 195,8 milímetros de chuva, o equivalente a 15 dias de chuvas normais. A prefeita Marcia Rosa determinou alerta para o atendimento às necessidades emergenciais que estão sendo provocadas pelas chuvas. A Defesa Civil realizou nesta segunda-feira 52 inspeções em imóveis na cidade.

O coordenador do Grupo Executivo das Cotas, Wagner Moura, e outros secretários tentam convencer as famílias a saírem do local, face ao risco iminente em que se encontram.



Fonte: http://www.atribuna.com.br/

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

BIG BROTHER BRASIL (Luiz Fernando Veríssimo)


Que me perdoem os ávidos telespectadores do Big Brother Brasil (BBB), produzido e organizado pela nossa distinta Rede Globo, mas conseguimos chegar ao fundo do poço...A décima primeira (está indo longe!) edição do BBB é uma síntese do que há de pior na TV brasileira. Chega a ser difícil,... encontrar as palavras adequadas para qualificar tamanho atentado à nossa modesta inteligência.

Dizem que em Roma, um dos maiores impérios que o mundo conheceu, teve seu fim marcado pela depravação dos valores morais do seu povo, principalmente pela banalização do sexo. O BBB é a pura e suprema banalização do sexo. Impossível assistir, ver este programa ao lado dos filhos. Gays, lésbicas, heteros... todos, na mesma casa, a casa dos “heróis”, como são chamados por Pedro Bial. Não tenho nada contra gays, acho que cada um faz da vida o que quer, mas sou contra safadeza ao vivo na TV, seja entre homossexuais ou heterosexuais. O BBB é a realidade em busca do IBOPE...

Veja como Pedro Bial tratou os participantes do BBB. Ele prometeu um “zoológico humano divertido” . Não sei se será divertido, mas parece bem variado na sua mistura de clichês e figuras típicas.

Pergunto-me, por exemplo, como um jornalista, documentarista e escritor como Pedro Bial que, faça-se justiça, cobriu a Queda do Muro de Berlim, se submete a ser apresentador de um programa desse nível. Em um e-mail que recebi há pouco tempo, Bial escreve maravilhosamente bem sobre a perda do humorista Bussunda referindo-se à pena de se morrer tão cedo.

Eu gostaria de perguntar, se ele não pensa que esse programa é a morte da cultura, de valores e princípios, da moral, da ética e da dignidade.

Outro dia, durante o intervalo de uma programação da Globo, um outro repórter acéfalo do BBB disse que, para ganhar o prêmio de um milhão e meio de reais, um Big Brother tem um caminho árduo pela frente, chamando-os de heróis. Caminho árduo? Heróis?

São esses nossos exemplos de heróis?

Caminho árduo para mim é aquele percorrido por milhões de brasileiros: profissionais da saúde, professores da rede pública (aliás, todos os professores), carteiros, lixeiros e tantos outros trabalhadores incansáveis que, diariamente, passam horas exercendo suas funções com dedicação, competência e amor, quase sempre mal remunerados..

Heróis, são milhares de brasileiros que sequer têm um prato de comida por dia e um colchão decente para dormir e conseguem sobreviver a isso, todo santo dia.

Heróis, são crianças e adultos que lutam contra doenças complicadíssimas porque não tiveram chance de ter uma vida mais saudável e digna.

Heróis, são aqueles que, apesar de ganharem um salário mínimo, pagam suas contas, restando apenas dezesseis reais para alimentação, como mostrado em outra reportagem apresentada, meses atrás pela própria Rede Globo.

O Big Brother Brasil não é um programa cultural, nem educativo, não acrescenta informações e conhecimentos intelectuais aos telespectadores, nem aos participantes, e não há qualquer outro estímulo como, por exemplo, o incentivo ao esporte, à música, à criatividade ou ao ensino de conceitos como valor, ética, trabalho e moral.

E ai vem algum psicólogo de vanguarda e me diz que o BBB ajuda a "entender o comportamento humano". Ah, tenha dó!!!

Veja o que está por de tra$$$$$$$$$$$$$$$$ do BBB: José Neumani da Rádio Jovem Pan, fez um cálculo de que se vinte e nove milhões de pessoas ligarem a cada paredão, com o custo da ligação a trinta centavos, a Rede Globo e a Telefônica arrecadam oito milhões e setecentos mil reais. Eu vou repetir: oito milhões e setecentos mil reais a cada paredão.

Já imaginaram quanto poderia ser feito com essa quantia se fosse dedicada a programas de inclusão social: moradia, alimentação, ensino e saúde de muitos brasileiros?

(Poderiam ser feitas mais de 520 casas populares; ou comprar mais de 5.000 computadores!)

Essas palavras não são de revolta ou protesto, mas de vergonha e indignação, por ver tamanha aberração ter milhões de telespectadores.

Em vez de assistir ao BBB, que tal ler um livro, um poema de Mário Quintana ou de Neruda ou qualquer outra coisa..., ler a Bíblia, orar, meditar, passear com os filhos, ir ao cinema..., estudar... , ouvir boa música..., cuidar das flores e jardins... , telefonar para um amigo... , visitar os avós... , pescar..., brincar com as crianças... , namorar... ou simplesmente dormir.

Assistir ao BBB é ajudar a Globo a ganhar rios de dinheiro e destruir o que ainda resta dos valores sobre os quais foi construída nossa sociedade.

Um abismo chama outro abismo.

Fonte: http://wwwcarbonario.blogspot.com/

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Educação sob pressão: estresse afasta 15% dos professores


Protagonista na formação de qualquer indivíduo da sociedade, o professor é hoje coadjuvante na história de cada um e, invariavelmente, ainda é taxado de vilão. Desvalorização, remuneração ruim, perda de autoridade e, sobretudo, desrespeito, fazem o mestre atingir o esgotamento da sua plena capacidade pedagógica, não por desconhecimento da matéria, mas por não suportar a pressão. Sucumbe ao estresse.

Na Baixada Santista, os professores sofrem de maneira acelerada. Segundo estimativas do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), o número de docentes da rede pública paulista, afastados pela doença, varia entre 10% e 15% do total.

A quantidade de professores da região retirados das aulas para tratamento se aproxima de 700, em um universo de 4.500 profissionais. Em todo o Estado, dos 220 mil docentes, cerca de 17.500 estão fora da atividade por diversos motivos, entre eles o estresse, conforme divulgou a Secretaria de Educação paulista, com base no fechamento do mês de dezembro último.

A Tribuna não conseguiu números das escolas municipais e particulares da região, seja com as prefeituras ou entidades que representam escolas e mestres. Mas, segundo relatos de representantes da categoria, pode chegar a 5%.

De acordo com a psicóloga Marisa Santos Souza, “ser responsável por crianças e adolescentes, que não têm interesse em aprender por uma predisposição, é uma carga muito grande e pode ocasionar uma pane no sistema nervoso”.

A solução é uma mudança da conjuntura atual, mais flexível e menos massacrante, aliada a exercícios de ginástica laboral.

Ela explica que as alterações psicossomáticas no professor são verificada há duas gerações, no intervalo de 40 anos, motivadas por uma mudança cultural, na qual “o professor virou coadjuvante”. “O aluno diz: por que devo estudar se não vou aplicar esse conteúdo na prática? Para ele, a avaliação é que o mestre está errado, não conhece nada, e ninguém pode reprimí-lo, nem mesmo os pais. Perdeu aquilo do respeito, da autoridade do professor”.

A questão comportamental é ainda mais prejudicial ao docente quando há a absorção das dificuldades estruturais. Falta de capacitação permanente e remuneração incompatível com a responsabilidade de ensinar refletem no organismo. A crise pode virar até depressão.

A bacharel em Administração Juliana Braz e a professora Eliana Alves desenvolveram um trabalho no qual identificaram que a profissão de professor é a mais valorizada pela sociedade, mas também a mais negligenciada. Associado às condições ruins de trabalho, longas jornadas e indisciplina de alunos, o abandono pode gerar o estresse e, na sua fase mais aguda, a síndrome de Burnout, quando o profissional abandona a atividade.

Sistema deficiente

“Hoje em dia, tudo contribui para o estresse do professor. Começa com a desvalorização, que recai sobre salas superlotadas, escolas caindo aos pedaços, pais de aluno partindo para cima do professor, quando não é o próprio aluno”, elenca a secretária-geral da Apeoesp na região, Sônia Maciel.

Sônia relata o baixo rendimento como um dos fatores mais desestimulantes. Segundo ela, a fórmula para atribuição de aulas é complicada e faz muitos ficarem sem espaço nas escolas. A sindicalista conta que hoje há a exigência de uma prova de capacidade, que restringe o recebimento de aulas e, por consequência, o salário.

Atualmente, o mestre recebe R$ 7,58 por aula dada. O professor pode assumir, no máximo, oito aulas por dia. Na Baixada Santista, os vencimentos médios dos docentes giram em torno de R$ 1 mil, mais as gratificações. “Por isso que tem professor que trabalha manhã, tarde e noite”, justifica Sônia.

Fonte: http://www.atribuna.com.br

12 moradores de rua são deixados em Cubatão - SP


Como se fossem objetos, 12 moradores de rua foram deixados em Cubatão por um ônibus, na Via Anchieta, próximo aos bairros cota. Eles continuaram a pé o percurso até o Centro.

Procuraram auxílio no Centro de Intervenção junto à População de Rua Migrante e Itinerante (Cimpri), mantido pela Prefeitura no Bairro Jardim Costa e Silva.

A suspeita das assistentes sociais que atuam no Cimpri é que eles tenham sido trazidos de alguma cidade do interior paulista. A assistente social Clélia Maria Ribeiro dos Santos conta que os moradores de rua estavam sob efeito do álcool e que se recusaram a revelar como chegaram.

“Conseguimos a informação de que eles vieram em um ônibus juntos porque um deles nos contou. Os demais negaram essa informação”.

Alguns dizem que vieram “da Ponta da Praia, em Praia Grande” outros que “saíram de Ubatuba”. De conexo, somente a afirmação do homem que se identificou como Klegivan. “Se tu quiser saber da nossa vida, dá pra escrever um livro”.

Todos os moradores receberam alimentação e roupas limpas. No final do dia, seis foram encaminhados para suas cidades de origem, na Grande São Paulo e ABC; três tomaram banho, se alimentaram e não quiseram ajuda. Esses, sequer deram informações básicas como nome e origem; e três foram para casa de parentes em outras cidades da Baixada.

Diretor do Departamento de Proteção Social Especial do Município, Mohamad Abdul Rahim, contou que casos como o de ontem são esporádicos, mas quando acontecem têm sempre o mesmo perfil.

Os moradores de rua quase sempre são trazidos do Interior de São Paulo. O diretor acredita que as características geográficas e econômicas da Cidade facilitem essa prática.

“Cubatão está no centro de um sistema rodoviário com acesso para várias cidades e possui um Polo Industrial que atrai trabalhadores de todas as regiões”, explica ele.

No final do ano passado ocorreu um episódio como o de ontem. Mas, desta vez, as assistentes sociais conseguiram identificar a cidade responsável por exportar os moradores de rua, localizada no interior. Com essas informações, elas entraram em contato com a Assistência Social do Município e articularam o retorno dos moradores. “Também informamos o Ministério Público”.

Fonte: http://www.atribuna.com.br

Praia Grande - SP: Violência doméstica contra mulher


Três casos de violência doméstica foram registrados em Praia Grande em um período de apenas 12 horas. As ocorrências foram registradas na manhã deste domingo e, na última delas, o filho do casal, um bebê de apenas 7 meses, chegou a cair no chão, mas não sofreu nenhuma lesão.

Esse caso aconteceu quando Vicente das Dores Pedroso, ex-companheiro da auxiliar de limpeza Janaína Donizete da Costa, de 34 anos, foi até sua casa, no Bairro Aviação, neste domingo, por volta das 9 horas.

Após uma briga, cujos motivos serão apurados posteriormente pela polícia, o homem desferiu socos na cabeça e nos ombros da mulher, que segurava a criança no colo.

Conforme o Boletim de Ocorrência registrado por Janaína, o casal viveu junto por 13 anos e tem ainda outros dois filhos. As vítimas foram encaminhadas ao Instituto Médico Legal (IML) para fazer exames.

Perto dali, no Jardim Aprazível, pouco antes desta ocorrência havia acontecido outra briga. Dyana Nunes Ribeiro, de 20 anos, chegou em casa de madrugada após uma festa e encontrou o marido, Gideone Oliveira Rodrigues, de 23 anos, dormindo.
Rodrigues acordou com a chegada da mulher e iniciou uma discussão, por achar que ela tinha chegado muito tarde em casa.

O fato, que aconteceu por volta das 7h300, também culminou em um Boletim de Ocorrência por lesão corporal, registrado por volta das 9 horas.

Doze horas antes deste registro, um outro caso acontecia, desta vez no Jardim Real. Débora de Souza Lima, de 30 anos, estava em sua casa quando o cunhado, Marcelo dos Santos, chegou aparentemente embriagado. Nesse momento, passou a ameaçá-la, dizendo que “iria matá-la a pauladas e botar fogo em seu carro”, conforme consta no BO registrado às 8h39, sob natureza de ameaça.

As vítimas foram orientadas quanto às medidas de proteção e ao prazo de seis meses para dar andamento na persecução penal.

Fonte: http://www.atribuna.com.br

sábado, 26 de fevereiro de 2011

HABITAÇÃO: primeiras unidades habitacionais do PAC são entregues em Guarujá


A Prefeitura de Guarujá entrega neste sábado as primeiras unidades habitacionais do Complexo Prainha, construídas por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC I), em parceria com o Município.

As 38 famílias receberão as chaves das casas às 14h30, mas a programação tem início às 10 horas com diversas atividades gratuitas para população, seguindo até às 17 horas. O evento ocorre na Rua Projetada, 18 - próximo à subestação da Codesp, com entrada pela Rua Castro Alves.

O empreendimento conta com 174 unidades que englobam as construções no bairro. No total, 1.084 famílias ganharão novas moradias, sendo que 910 serão removidas para o Parque da Montanha. O valor do investimento das primeiras casas foi de R$ 1.425.940,44.

Cada unidade possui dois quartos, cozinha, sala, banheiro e área de serviço. O imóvel será entregue no contrapiso, mas pronto para habitar. Posteriormente, o morador que desejar pode adequar ao seu gosto. No condomínio, os moradores contarão com jardim e amplo espaço para lazer.

Na segunda etapa do Complexo Prainha, serão construídas mais 136 moradias. As obras foram iniciadas, com serviços de tubulação, esgoto, drenagem e rede de água.

As primeiras unidades da segunda fase devem ser erguidas no início de março. Conforme as 38 famílias saírem de suas antigas moradias, os imóveis serão demolidos e no local serão erguidas as novas unidades.

Ação e cidadania

Dentre as atividades programadas de ação e cidadania estão: orientação do Bolsa Família, emissão de cartão SUS e carteira de trabalho, aferição de pressão arterial, orientação sobre dengue, distribuição de preservativos, exposição das pipas com segurança e orientação de primeiros socorros.

Para as crianças, serão montados brinquedos e haverá distribuição de algodão doce e pipocas. Haverá ainda a apresentação da Banda Marcial de Guarujá e muito samba no pé, com a presença das escolas de samba Mocidade Amazonense, Guarujá e Prainha.

Fonte: http://www.atribuna.com.br

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Veto à resolução contra assentamentos ilegais filiou Obama ao Likud


Se houvesse um governo responsável em Israel, teria parado com a construção de assentamentos há muito tempo. Se os EUA tivessem agido como uma superpotência, teriam votado pela resolução que despertasse Israel do seu sono perigoso. Israel, que é condenado pelo mundo inteiro mas continua alegremente desse jeito, é um país que está perdendo sua conexão com a realidade. É também um país que vai se encontrar, afinal, jogado à própria sorte. É por isso que a decisão dos EUA prejudica os interesses de Israel. O artigo é de Gideon Levy.

Gideon Levy - Haaretz


Na semana passada o Likud ganhou um novo membro – e não apenas no partido da situação, mas na sua ala mais à direita. Situado em algum lugar entre Tzipi Hotovely e Danny Danon, o presidente Barack Obama foi para a direita de Dan Meridor e Michael Eitan e enfraqueceu a posição deles.
O primeiro veto dos Estados Unidos do mandato de Obama, um veto que em vão ele prometeu não usar como seus predecessores o fizeram, foi um veto contra a chance e a oportunidade de mudança, um veto contra a esperança. Esse não é um veto amigável para Israel; ele apoia os assentamentos ilegais e a direita israelense; e somente eles.

As desculpas do embaixador estadunidense na ONU não ajudarão; tampouco as palavras de agradecimento do gabinete do primeiro ministro. Esse é um passo nada menos que hostil a Israel. Os EUA, do qual Israel depende mais do que nunca, diz sim aos assentamentos ilegais. Esse é o único significado de sua decisão, e ao fazê-lo, apoia o empreendimento mais danoso a Israel.

Mais ainda, faz isso num momento em que ventos de mudança estão soprando no Oriente Médio. Uma promessa de mudança foi ouvida na América, mas o país continuou com suas respostas automáticas e seu apoio cego à construção de assentamentos israelenses. Não serão os EUA que terão condições de mudar sua posição relativa aos povos da região. E Israel, um pária internacional, mais uma vez viu-se apoiado unicamente pelos EUA.

Isso deveria estar perturbando todo israelense. É isso que nós somos? Isolados e condenados? E tudo pela continuação desse empreendimento sem sentido? Isso realmente vale à pena? Dar as costas para a ONU e ter o mundo inteiro contra nós?

Não podemos nos confinar nessa redoma de aço para sempre. Devemos abrir os nossos olhos e entender que se nenhum país, fora a enfraquecida América, apoia esse capricho nosso, então algo fundamental está errado aqui.

Israel, que é condenado pelo mundo inteiro mas continua alegremente desse jeito, é um país que está perdendo sua conexão com a realidade. É também um país que vai se encontrar, afinal, jogado à própria sorte. É por isso que a decisão dos EUA prejudica os interesses de Israel. Ela continua a cegar e a assombrar Israel com o pensamento de que ele pode seguir em frente, assim, para sempre.

Um Estados Unidos amigavelmente preocupado com o destino de Israel deveria ter dito não a esse veto. Uma América que entende que os assentamentos são um obstáculo deveria fazer coro na sua condenação. Uma superpotência que quer fazer a paz num momento em que os povos árabes se levantam contra seus regimes e contra os EUA e Israel, deveria ter entendido que deve mudar as velhas e más regras do jogo do apoio líquido e certo ao seu aliado viciado em assentamentos.

Uma América amigável deveria ter se mobilizado para salvar Israel dessa dependência. Só ela pode fazer isso, e deveria ter começado, tardiamente, no Conselho de Segurança na sexta-feira (18/02).

Mas as promessas de mudança e de verdadeira preocupação com Israel são uma coisa, enquanto o comportamento diplomático é outra: mais um veto automático é como se nada tivesse mudado. Obama ou George W. Bush, não há diferença. Quando a embaixadora Susan Rice disse que o esboço da resolução poderia fazer retroceder as posições de ambos os lados e encorajar um recuo nas negociações, ela se enganou. Ela sabe que o que evita negociações e torna as posições mais difíceis é a construção continuada nos assentamentos.

E quando o Ministro do Exterior de Israel diz que é “peculiar que o Conselho de Segurança escolhesse um só simples aspecto para considerar” das negociações israelo-palestinas, “enquanto ignora uma visão mais ampla dos acontecimentos em nossa região”, ele também enganou. O porta-voz do ministro acredita mesmo que há alguém sério que poderia concordar com Israel criando fatos consumados, sem permissão nem obstáculos?

E chamar a isso de “um simples aspecto”? Talvez seja apenas um, mas é certamente o mais destrutivo. E por isso é aquele que o mundo deveria condenar – corretamente.

Mais ainda, esse veto não foi dado em dias comuns. Estes são dias de ebulição na região. Se houvesse um governo responsável em Israel, teria parado com a construção de assentamentos há muito tempo – não apenas para desviar o fogo de Israel, mas para promover um acordo que nunca foi tão vital para si.

Se os EUA tivessem agido como uma superpotência, teria votado pela
resolução, na sexta-feira, que despertasse Israel do seu sono perigoso. Em vez disso, temos um veto hostil de Washington, berros de alegria de Jerusalém e uma festa que terminará muito mal para ambos.

Fonte: http://www.cartamaior.com.br

O que falar de Dilma?



Marcos Coimbra

Pelo que parece, a “grande imprensa” vai passar quatro anos a se remoer. Achava que a presidenta seria cópia piorada de Lula. Dá-se o caso que, neste início de governo, ela surpreendeu a mídia. Exatamente no que menos
se esperava: está fazendo, desde o primeiro momento, o governo dela

É engraçado ler nossa “grande imprensa” nos dias que passam. Seus colunistas e comentaristas vivem momentos difíceis, dos quais tentam escapar com saídas cômicas.

A raiz de seus problemas é que não sabem como lidar com Dilma Rousseff. Talvez achassem que seu governo seria óbvio. Que ela seria uma personagem que conseguiriam explicar com meia dúzia de ideias prontas.

Imaginavam, talvez, que o compromisso que ela assumiu com a continuidade do trabalho de Lula faria com que ficasse de mãos atadas. E, quando ela confirmou vários ministros e auxiliares do ex-presidente na sua equipe, devem ter tido certeza de que suas expectativas se confirmariam.

Achavam que Dilma seria uma cópia carbono de Lula. Piorada, naturalmente, pois sem sua facilidade de comunicação e carisma. Estava pronta a interpretação do novo governo: na melhor das hipóteses, uma repetição sem brilho das coisas que conhecíamos. Para quem, como nossos bravos homens e mulheres da “grande imprensa”, achou que o governo Lula havia sido uma tragédia, o de Dilma seria uma farsa. Como dizia o velho Karl Marx, quando a história se repete, é isso que acontece.

Dá-se o caso que, neste início de governo, Dilma os surpreendeu. Exatamente naquilo que menos esperavam: está fazendo, desde o primeiro momento, o governo dela.

Não há sinal mais evidente que a mudança que experimentou a parcela do ministério que manteve. Ficaram parecidos com os novos. São ministros dela e não ex-ministros de Lula.

Na verdade, esse é apenas um sintoma de que, em pouco mais de um mês, o governo Lula virou passado. Algo que era difícil antever aí está. Em grande parte, porque Dilma ocupou seu lugar, deixando claro que não é igual ao antecessor.

A “grande imprensa” brasileira estava preparada para essa hipótese, mesmo que a achasse improvável. Era o cenário da crise entre criador e criatura, tão frequente na política, que vem na hora em que o “poste” se rebela contra quem lhe deu vida. Não era pequena a torcida em favor desse desfecho: Dilma desentendendo-se com Lula, este aborrecido, ela enciumada, ele se sentindo traído, ela sozinha no Planalto.

Não é isso o que está ocorrendo. Lula não parece achar errado que Dilma tenha se sentado na cadeira que ele ocupou por oito anos e começado a governar desde o primeiro dia.

A frustração de perceber que quase nada do que imaginava está se verificando tem levado a “grande imprensa” a atitudes patéticas. Não há maior que a recusa em aceitar a decisão de Dilma de ser tratada como presidenta.

A insistência dos “grandes veículos” em só designá-la como presidente é pueril. Na língua portuguesa, as duas palavras existem, o que faz com que qualquer uma possa ser empregada. Se Dilma escolheu uma, que argumento justificaria negar-lhe o direito de usá-la?

É provável que os historiadores do futuro achem graça da implicância de nossos “grandes jornais”. Seu consolo acabou sendo pequeno: o que lhes resta é pirraçar, bater pé e chamá-la “presidente”. Um dia, quem sabe, farão como os jornalões argentinos, que acabaram respeitando a mesma opção de Cristina Kirchner (os jornais chilenos, mais educados, nunca recusaram a prerrogativa a Michelle Bachelet).

Nesta semana, nossos vibrantes “grandes jornais” passaram a achar ruim que Dilma houvesse feito uma foto colorida para acrescentar à galeria dos presidentes da República. Queriam que fosse em branco e preto, talvez por picuinha. Sugeriram que ela quer “aparecer demais”.

E assim vamos. Pelo que parece, a “grande imprensa” vai passar quatro anos se remoendo.


Marcos Coimbra é sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi. Também é colunista do Correio Braziliense.

Fonte: http://www.cartacapital.com.br

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Eleições CFESS-CRESS 2011-2014: conheça as chapas candidatas em todo o país


Os dias 23, 24 e 25 de março serão marcados pelas eleições do Conjunto CFESS-CRESS (triênio 2011-2014). E a pouco mais de um mês de assinalar seu voto, a categoria já se mobiliza para este grande momento, realizando calorosos debates, de norte a sul do Brasil, sobre o processo eleitoral. Quase 60 chapas vão concorrer às direções dos CRESS e Seccionais, o que demonstra uma participação e interesse dos/as assistentes sociais em debater os caminhos que o Serviço Social seguirá nos próximos três anos.

“É a categoria se organizando e legitimando este processo democrático das eleições do Conjunto CFESS-CRESS”, afirmou a presidente da Comissão Nacional Eleitoral, Rosa Helena Stein. "Estamos falando de um processo que seu Código Eleitoral é definido pela própria categoria no maior espaço de deliberação dos/as assistentes sociais, que é o Encontro Nacional CFESS-CRESS", completou.

No dia 11 de fevereiro, o CFESS divulgou a carta-programa da chapa única que concorre à direção do Conselho federal, “Tempo de Resistência e Luta”. O material possui duas versões: completa e resumida. Os/as candidatos da "Tempo de Luta e Resistência" também lançaram um blog, que traz, além das propostas, os/as apoiadores/as da chapa.

"É fundamental que o/a profissional conheça as chapas e seus programas e participe dos debates e do processo eleitoral. O CFESS é o único conselho federal de regulamentação profissional cuja direção é eleita pelos/as profissionais por meio de voto direto não obrigatório. E nesse sentido, o voto é entendido como direito político e não como dever", defendeu a presidente do CFESS, Ivanete Boschetti.

Fonte: http://www.cfess.org.br

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

As origens do mal

Por >>>Edilson Adão Cândido da Silva



Como o imperialismo europeu transformou uma região pacífica no mais famoso barril de pólvora geopolítica da atualidade. Por Edilson Adão. Foto: Ahmad Gharabl/AFP

Os frequentes atos extremistas que assolam o Oriente Médio remetem à pergunta: hoje palco de tamanha violência, por que Jerusalém foi há pouco mais de um século lugar de convivência respeitosa entre judeus, muçulmanos e cristãos? Devemos considerar que até então a cidade encontrava-se sob a tutela do império turco-otomano, cujo califa de outrora, o sultão Osman III, através de um edito de 1757, delimitou muito bem os direitos e competências de cada religião que entendia ser sua a sagrada Jerusalém. As maiores confusões ficavam por conta dos cristãos, particularmente durante a Páscoa, quando a boa convivência dava lugar a vergonhosos acirramentos entre gregos ortodoxos, católicos armênios, coptas egípcios, maronitas sírios e outras comunidades cristãs. Mas, no geral, a convivência era boa e pautada pela tolerância, salvo excessos eventuais. Certa vez, entrevistei um octogenário palestino que me disse ser um judeu o melhor amigo de seu pai. Vizinhos, era -comum caminharem juntos pelas ruas da Palestina; seu pai virava à esquerda e entrava na mesquita, o amigo à direita para a sinagoga. Finalizadas as orações, encontravam-se na saída e continuavam o passeio. Essa utópica cena para os dias de hoje foi fato um dia na Terra Santa.

Não obstante celeumas ideológicas, é quase impossível não atribuir ao imperialismo europeu (logo, ao capitalismo), o barril de pólvora em que se transformou o Oriente Médio. O desarranjo lógico do território forjou ali as mais es-drúxulas unidades sem o mínimo lastro histórico-geográfico que justificasse a existência de certos países, em particular às margens do Golfo Pérsico, mas também nas areias do deserto. Fronteiras mal formuladas construíram gradativamente o clima de tensão que hoje se abate na região. A tensão evoluiu para violência na segunda metade do século XX, cujas três últimas décadas assistiram ao surgimento de um novo fenômeno: o fundamentalismo.

INTOLERÂNCIA: FENÔMENO DO SÉCULO XX

Quem matou o Mahatma Gandhi? Quem matou Yitzhak Rabin? Quem matou Anwar Sadat? Cada um desses líderes foi morto pelo fundamentalismo intrínseco à sua própria religião.

Apesar de litígios religiosos serem antiquíssimos, é no século XX que o extremismo torna-se fenômeno comum. Temos notícias de atentados religiosos desde o fim do século XIX, quando a Irmandade Muçulmana lutava contra o domínio britânico no Egito. Mas o parâmetro contemporâneo para aquilo que se convencionou designar como “fundamentalismo” podemos encontrar na Revolução Islâmica de 1979, quando o Irã converteu-se em uma teocracia xiita.

Contudo, é no cristianismo que residem os primórdios do fundamentalismo. Suas raízes estão ligadas ao protestantismo cristão norte-americano do século XIX, cuja leitura literal e dogmática da Bíblia difundia a crença de uma supremacia cristã e a não aceitação de outras verdades religiosas, fundamentos que tanto contribuíram para a formação da cultura Wasp (White, Anglo-Saxon and Protestant ou Branco, Anglo-Saxão e Protestante). Líderes norte-americanos passaram a se inspirar nesses preceitos para a orientação do modo de vida, num claro enfrentamento com a modernização da sociedade. Nessa linha, o homem deve pautar-se numa leitura ortodoxa da palavra de Deus, o Ser infalível que orienta todo o modus vivendi da sociedade. Para os fundamentalistas, qualquer interpretação da vida que não encontre uma justificativa bíblica deve ser refutada. A Bíblia não deve ser interpretada, como fazem os teólogos mais progressistas, mas simplesmente obedecida, pois é a verdadeira palavra de Deus: basta segui-la. A História, a Geografia e, principalmente, a Biologia nada acrescentam ao conhecimento. O evolucionismo deve ser banido como teoria e ser substituído plenamente pelo criacionismo – esta, sim, uma teoria embasada na palavra divina. O fundamentalismo consiste nesse comportamento de obediência extrema a um credo religioso, que não aceita conviver com outra perspectiva ou forma de explicação da vida. Há uma única verdade: Deus.

Na perspectiva fanática, portanto, a crença do outro está equivocada. Acontece que, quando o outro pensa da mesma forma, aflora a intolerância e a coexistência torna-se impossível. Resultado: conflitos e mortes. A origem disso é cristã, mas, nos dias de hoje, é o fundamentalismo islâmico o mais atuante de todos e seus feitos, os mais impressionantes.

O fundamentalismo é um movimento reacionário, pois pretende um retorno- aos valores tradicionais que fundamentam sua crença, numa clara oposição ao secularismo e à modernidade. A emergente Índia, por exemplo, candidata à condição de potência econômica nos anos vindouros, tem no combate ao extremismo religioso interno seu maior desafio. O Partido do Congresso, laico, tenta, a duras penas, construir uma nação secular, mas o oposicionista Barhatya Janart Party (BJP), de orientação fundamentalista hindu e que já governou nos anos 1990, luta por uma Índia teocrática, caminhando no sentido contrário e investindo na supremacia bramanista perante uma minoria muçulmana de mais de 150 milhões de habitantes. A atmosfera indiana é de pura tensão.

Tendo como grande ícone a Revolução Islâmica, a opção fundamentalista não ficou restrita ao xiismo; inclusive, nos dias de hoje, é na vertente do sunismo que temos os principais grupos atuando. A falta de atenção, no entanto, pode levar muitos a incorrer no mais comum dos erros: a confusão entre islamismo e fundamentalismo, visto que o noticiário pouco contribui ao discernimento das diferenças, podendo levar a entender o extremismo religioso como circunscrito ao islamismo. Sobre o significado da palavra Islã, o xeque Jihad Hassan Hammadeh, vice-presidente da Assembleia Mundial da Juventude Islâmica, uma das maiores autoridades brasileiras no assunto, informa que “islã”, na língua árabe, deriva da palavra “salam”, que significa paz, portanto, a essência da religião islâmica é a paz, seu alicerce é a paz, por isso é que a definição de islam é: submissão total e voluntária a Deus Único, então quem é voluntário a Deus deve praticar o que Ele ordena, que é a justiça, a paz, o amor, a solidariedade etc. Quanto à violência, a religião islâmica proíbe qualquer ato de injustiça contra qualquer ser e inclui também a agressão contra o meio ambiente. Deus disse no Alcorão (livro sagrado dos muçulmanos): “E quem tirar uma vida inocente é como se tivesse assassinado toda a Humanidade, e quem salvá-la é como se tivesse salvado toda a Humanidade”, portanto, o muçulmano é proibido de cometer qualquer ato de agressão injusta, dando-lhe, somente, o direito à legítima defesa, que é direito de qualquer pessoa, em qualquer parte do mundo e em todas as religiões. Deus disse no Alcorão Sagrado: “E se punirem,- que punam da mesma forma como foram punidos,- e quem tiver paciência, é melhor para os pacientes”.

Alguns estudiosos do Islã afirmam ser equivocada a expressão “fundamentalismo” para designar os atos extremistas que marcaram o fim do século XX. Em sua concepção, o termo é totalmente infeliz, uma vez que se faz uma adaptação da realidade cristã à islâmica. Tal analogia é então descabida, pois as escolas de filiação religiosa são distintas. Enquanto no cristianismo a interpretação do fundamentalismo é visceralmente conservadora, antimodernista e arraigada aos valores tradicionais da Bíblia, no Islã, dá-se o contrário. Logo, o que vemos e classificamos hoje como fundamentalismo islâmico é exatamente o oposto daquilo que pregam os verdadeiros estudos dos fundamentos do Islã. Regimes como o iraniano ou o que era vigente até há pouco tempo no Afeganistão seguem o oposto daquilo que seriam os “fundamentos do Islã.”

Edilson Adão Cândido da Silva é mestre em Ciências pela USP, autor de Oriente Médio: A Gênese das Fronteiras (Editora Zapt) e professor de Geopolítica e Teoria das Relações Internacionais no Ensino Superior

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/